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quarta-feira, 25 de maio de 2011

A Ruiva (VI)

Querido Gabriel


Se não leres esta carta, é bom sinal. Quer dizer que seguiste em frente, que arranjas-te um emprego e voltas-te para a tua mãe, ou quem sabe? Alugas-te um quarto e deixas-te esta rua tão rica em sonhos perdidos. Bem mas se a estiveres a ler, é para te dizer, que eu não quero dinheiro nenhum de volta, eu dei-to porque tenho esperanças que lhe dês melhor uso que eu. Se estivesse na minha posse iria servir para eu pagar a renda, comprar comida para o gato, comida para mim e um par de sapatos! Um rotineiro par de sapatos. Por isso eu dei-to a ti, porque eu não o quero para nada.

Escusas de continuar à minha porta, eu abandonei o meu emprego e tão cedo não irei voltar, vou viver a vida, para depois poder escrever um livro sobre esta mesma e deixar de escrever sobre quem ganhou a taça de x, ou a liga de y. Sim eu era repórter desportiva, até abandonar isto tudo!

Mais uma coisa que ficas-te a saber sobre mim, talvez a última!

Por isso Gabriel, meu querido malabarista, apesar de só teres passado cerca de 12 horas comigo, foram 12 intensas horas. E eu quero, quero mesmo que te faças á vida! E que sejas um fantástico malabarista. Quero que voltes para a tua mãe e que lhe fales de mim, a tua amiga Ruiva.

E não te maces, apesar de termos passado um dia verdadeiramente romântico e intenso. Sim eu gosto que me cortejem, (mais uma coisa que descobriste), talvez seja o hábito, ou o conforto. No fundo é a minha paz de espírito, saber que ainda sou bela o suficiente para me cortejarem. Mas tu, tu olhaste-me não como um simples bibelô com uma cabeleira ruiva, tu procuras-te saber mais acerca de mim, do meu passado, do meu futuro. Foi isso que me encantou mais em ti ! O diferente , o desconhecido.

E foste tu, foste tu que me deste a motivação e a coragem que precisava para largar tudo e ir atrás do que eu verdadeiramente quero, tal como tu fizeste há dez anos trás, tão jovem, belo e apaixonado que deverias ser (e continuas a ser meu caro amigo aproveita bem todo o material de que és feito, porque se não é ouro, é prata).

Mas agora não te preocupes porque daqui a dez anos não me irás encontrar com a casa as costas, porque se algum dia isso estiver prestes a acontecer eu não vou ser orgulhosa como tu estás a ser agora e voltarei para as asas da minha mãe, quem sabe para as tuas, ou para as do mundo.

E doida? Sim talvez seja, entregar-te assim um pequeno tesouro, mas eu acho que o mereces se não tanto como eu, muito mais!

E agora um beijo semelhante a um penso rápido para não doer, e um abraço quente e intenso como o solstício de verão, para deixar o meu cheiro e a minha presença agarradas à tua vida, tal como mel.

E o teu gorro? Ora assenta-me maravilhosamente bem, foi feito à minha medida e condiz tão bem com o ruivo dos meus caracóis, caracóis que não são caracóis.



Com amor e o mundo na palma da mão

Clara Papoilas (Sim, Papoilas como a cor do meu cabelo)



1 comentário:

  1. super apaixonante minha fifinha, estou completamente encantada!!! +.+ fico à espera do proximo capitulo para me poder deliciar ainda mais !

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