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quarta-feira, 13 de abril de 2011

A cabeça

Mas doí ! Eu juro que doí. E calam-se as lágrimas de poeta sem guarida !
Doí o coração enjaulado, por ver o sol aos quadradinhos, o coração e a cabeça que teima em conseguir. Mas nunca consegue ! Pobrezinha.
Quem a matou foi o cansaço, que derradeira arma ! Mortífera.
Foi a espada de fel que cortou o pescoço e levou a cabeça para o amanhã. Onde me irá esperar com um sorriso trocista desenhado por Deus.
E doí, eu juro que doí !

domingo, 27 de março de 2011

Escrevi um mundo no teu rosto

Por norma, é o homem que diz que fica acordado olhando para o rosto da sua amada. É ele que prega as palavras bonitas à parede para que ela nunca se esqueça da sua presença.
No entanto apesar de seres tu a prega-las a parede. Fui que te fiquei a olhar.
Percorri as tuas costas com as minhas mãos frias, beijei-as e nas tuas cicatrizes, vi dor, beijos tristes, vida ! Não eras de plástico. Senti a carne e o osso, junto da palma e da mão ! No escuro da noite, conheci o que em ti nunca tinha visto. 
Escrevi um mundo no teu rosto e li outro no teu peito, percorri com os olhos as tuas pernas e deparei-me com feridas de guerra, iguais às que preenchem o teu coração !
Senti vontade de te agarrar, de te abraçar e de viver no teu peito. Mas antes tinha de curar todos os teus males, de tapar os buracos do teu coração com mel, de desprender-te da dor ! Então agarrei nos lençois que me cobriam e saí da cama.
Quando toquei com os pés no chão frio. desci à Terra. Esqueci a Lua, e apercebi-me que nunca ninguém estivera na minha cama. Só lá estava o meu corpo volátil e abandonado pelo tempo, pois tu há muito que tinhas partido, não fisicamente. Mas a tua alma fora para a Lua e não voltara mais !