Páginas

Imagina ...

A minha foto
Drama é o meu nome do meio .

we cry



segunda-feira, 11 de outubro de 2010

A arte de atirar ao ar.

Fotografia por Ana Sofia Gregório
Era artista, mantia objectos no ar, começara com laranjas, três, quatro, cinco ... Depois com pinos, mais tarde com o fogo, mas arrependera-se e voltara às laranjas.
Tudo começara para impressionar a rapariga que morava no andar da esquina, aquela dos cabelos ruivos, que vinha todas as manhas à varanda regar as margaridas. Saía de casa por volta das 9.30, (adorava vê-la com a gabardine que condizia com as galochas verdes, com o longo cabelo ao alto, e o seu ar alegre mas constantemente preocupado), voltava a vê-la às 17.30 quando voltava para casa (com o cabelo desgrenhado e o seu ar cansado mas ainda assim feliz), via-a mais tarde quando vinha à janela, e olhava á lua. Por vezes via-a sair para jantar, ou para uma noite a dançar com as amigas ( loucas, pensava ele) que buzinavam no carro vermelho até ela sair com o vestido justo e brilhante que ele tanto gostava de ver na bela silhueta da rapariga do andar da esquina.
Já estivera com belos homens , mas nenhum suficientemente bom para aquela princezinha.
Foram poucas as vezes em que ela o olhara com olhos de ver... Quando brincou com o fogo e queimou a sua mão, ela parou, desconsertou a sua rotina e tratou da sua ferida. Ele olhou-a de tão perto ... Segundo ela, chamava-se Clara, e odiava sardas, fora esta a conversa de ocasião.
Mas depois deste breve momento, restavam apenas os sorrisos trocados, ele não se importava, bastava vê-la e atirar todos os dias as suas laranjas, era um artista de palmo e meio que vivia da arte de atirar ao ar ( por vezes brincava, atirava amor, atirava ódio, atirava amor, atirava ódio) era a maneira de passar o tempo.
Sempre lhe faltara a coragem, para lhe escrever nas laranjas, nos pinos, nas bolinhas ( Estou apaixonado por ti ! )
No dia, em que Clara não apareceu mais, ele continuou com a sua arte, não tentou procura-la, somente esperava. Todos os dias, à mesma hora, esperava pela silhueta com a gabardine verde e o cabelo ruivo. Esperou até perder as suas forças , esperou até a sua pele enrugar , esperou até a sua alma se ir perdendo aos poucos, esperou até desesperar. Esperou até largar as laranjas e correr atrás da rapariga ruiva que morava no andar na esquina !

4 comentários:

  1. está lindo Raquel! gostei mesmo <3
    Inês Margarida.

    ResponderEliminar
  2. Lindo? FANTÁSTICO, MARAVILHOSO!
    Algo que já era de esperar minha poeta. Ily

    ResponderEliminar
  3. És uma little shakespeare! Está 5* na minha opinião LY Rach

    sara

    ResponderEliminar

Deixa aqui o teu primeiro impulso.