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sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Banda desenhada

Ele via-a todas as noites ... Em banda desenhada, acertava pormenores e descobria sempre algo a melhorar naquele ser mais que perfeito.
A seus olhos aquela sua criação era algo magistral, um ser que ninguém conseguiria igualar, talvez seja essa a razão por continuar preso ao passado, por nunca dar passos em falso, por não arriscar e acabar por cair na segurança da monotonia da sua rotina.
E todas as noites, abria a sua banda desenhada e desenhava sempre um novo traço no seu rosto, penteava-lhe os cabelos com lápis cor-de-laranja, afinava-lhe os lábios com vermelho cereja e enchia-lhe os olhos de verde, muito verde ... Sarapintava-a com mais sardas e acabava sempre por lhe oferecer uma nova faceta, transformando-a numa outra pessoa, com a falível esperança de criar alguém despido de defeitos. Tentativas falhadas ... 
O tempo não pára, e a sua banda desenhada foi enchendo-lhe a vida de tanto nada, quando deu conta do que se passou, do que se estava a passar e do que nunca iria acontecer, era tarde de mais, e as suas tentativas de perfeição acabaram por deixa-lo só, sem ninguém para poder apontar defeitos, para discutir opiniões, para cometer erros e mais tarde emenda-los. Entendendo que a imperfeição é o mais perto que se tem da perfeição.

(Fotografia por Ana Sofia Gregório)

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