Recebi-te numa garrafa de vidro, a noite estava negra como os teus olhos e reparei em ti quando o feroz brilho da lua resplandeceu no vidro baço e lascado da minúscula garrafa de onde vinhas. Não me quis molhar, portanto esperei que viesses ter comigo, a meus pés…
Honestamente, agora posso dizer-te, que a curiosidade em conhecer-te era nula. Se calhar porque éramos conhecidas, melhor, talvez velhas amigas… Sabia o que querias de mim. E devo dizer-te que apesar da nossa relação não ser a melhor … Ambas sabemos que eu era o quente e tu o frio, eu era o amor e tu o ódio, ou se calhar talvez seja eu o ódio e tu queiras dominar-me com palavras doces e majestosas. Coisas bonitas que qualquer um inveja. Mas eu não … Agora devo confessar que até comecei a gostar de ti, não muito ! Só um bocadinho.
E enquanto me perdia por pensamentos ingratos, já te estava a imaginar na palma da minha mão, com os teus longos e robustos caracóis … O teu rosto amoroso, de criança pequena, sarapintado por pequenas pintas cor-de-laranja, a que podemos chamar sardas … Mas sobretudo o teu corpo pesado, não me interpretes mal … Tinhas um palmo e meio e não estavas nada volumosa, eras quase como uma modelo vitoria’s secret , com um daqueles vestido amorosos de princesinha, mas devo dizer-te … pesada como 50 elefantes.
Qual foi o meu espanto quando sais-te de dentro da suja garrafa, sacudis-te o teu vestido, assim como os caracóis, exprimis-te o teu sorriso presunçoso que honestamente já faz parte da mobília. E então saltas-te, estavas mais pesada do que calculara. Tinha-te baptizado de Constança, mas antes de exprimir algum som, tu repeliste-me:
-Não sou Constança, o meu nome é consciência.
Obrigada, estou a seguir-te ;D
ResponderEliminar"Nenhuma causa está perdida enquando ainda houver um louco para a enfrentar." :D
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