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terça-feira, 13 de julho de 2010

Sem rótulo.

Pisei chão desconhecido enquanto tirava conclusões precipitadas, quis acreditar que talvez tivesse um papel mais importante que o que julgava, há muito que era uma mera figurante, fui ganhando importância, mas o meu papel não passava de algo básico, doce, mas sem peripécias. Enquanto eu ansiava por algo complexo, amargo, pujante, mas com um final feliz.
 E agora depois de te ter intitulado com um rótulo que não é o teu, voltei a deixar-te à mercê do destino, o destino traiçoeiro que me fez acreditar em algo irreal, o destino que me apunhalou pelas costas. Sei que sou malabarista e jogo com palavras, amando-as ao ar e brinco com elas, no final apanho-as! E volto a guarda-las, porque sempre que as liberto, tenho necessidade de as controlar cuidar e acima de tudo tê-las junto a mim. De modo a que fiquem comigo para sempre.
Mas ainda não me tinha apercebido de algo importante, o facto de não libertar as minhas palavras, impede-me de não completar o meu numero e acabo por ficar à quem das expectativas. E tu fizeste com que as liberta-se, fizeste-me entender que apesar de não as ter ao pé de mim, consigo na mesma senti-las, protege-las e ama-las. E percebi isto, porque te as ofereci a ti ! Entreguei-te as minhas palavras, e a cima de tudo continuo a senti-las. O meu número levou-me ao sucesso, ao êxtase e tu fizeste-me uma ovação de pé
E agora percebi que apesar de ser malabarista e figurante numa peça sem nome. Sou alguém sem rótulo, e ainda está para vir O Alguém que me intitule.Quando chegar, estarei de braços abertos á sua espera, porque tu não tiveste a capacidade de  me guardar, assim como guardas-te as minhas palavras.


(Fotografia por Ana Sofia Gregório)

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